Nos anos de 1980, as organizações começaram a se caracterizar por um deslocamento do foco competitivo passando a contemplar a concorrência entre cadeia de empresas. Muitas empresas ampliaram o âmbito de suas operações de logística abraçando o que se convencionou chamar de Gestão da Cadeia de Suprimentos, ou em inglês: Supply Chain Management (SCM) com o intuito de melhorar seus custos e entregar aos clientes um melhor serviço.

A introdução desse novo conceito descreve a gestão de uma rede de relações dentro de uma empresa e entre organizações e unidades de negócios englobando fornecedores de materiais, compras, instalações de produção, logística, marketing e sistemas relacionados que favorecem o fluxo a montante e a jusante, inclusive logística reversa, de materiais, serviços, finanças e informação do produtor original para o cliente final adicionando valor para os clientes e maximizando a rentabilidade através de ganhos de eficiência.

A expansão desses conceitos ocorreu por diversas motivações: a globalização e todos seus adventos, exigências de partes interessadas, desafios ambientais e sociais. A ideia que emerge é que as organizações de forma isolada não conseguem atender a todas essas demandas do mercado, logo, precisam realizar parcerias com o intuito de criar vantagens competitivas por meio do estabelecimento de um estreito e duradouro relacionamento com parceiros fazendo com que a gestão da cadeia de suprimentos represente uma área de forte importância estratégica.

Aliado a esse raciocínio, de que isoladamente a implementação de práticas de gestão ambiental por parte das empresas não é tão eficaz como as coletivas realizadas na cadeia de suprimentos, nos anos de 1990, surge uma nova linha de pesquisa com raízes na literatura sobre gestão ambiental e gestão da cadeia de suprimentos denominada de Green Supply Chain Management (GSCM) ou Gestão da Cadeia de Suprimentos “verde”.

Essa nova abordagem identifica e analisa as relações entre a gestão da cadeia de suprimentos e o meio ambiente, pois com a globalização da economia, o aumento da conscientização ambiental dos stakeholders, a criação de regulamentos e legislações ambientais rigorosas e as multas impostas pelo seu descumprimento, bem como a necessidade de se obter vantagens competitivas, provocaram nas organizações uma necessidade de mudanças no tocante às questões ambientais, tornando necessária a inclusão destes aspectos na elaboração das estratégias competitivas das empresas, bem como a necessidade de expandir a adoção de práticas ambientais adequadas para a cadeia de suprimentos, portanto, fica claro que a discussão sobre a gestão ambiental deve extrapolar o âmbito das organizações, pois elas estão estruturadas em cadeias de suprimentos.

Observa-se que a GSCM consiste em uma iniciativa que as organizações estão adotando para resolver e melhorar o desempenho ambiental ao mesmo tempo em que pode proporcionar vantagens competitivas, uma vez que ela promove uma sinergia entre os parceiros, reduzindo desperdícios a fim de obterem-se economias de custo. Surge como um dos temas emergentes mais populares e importantes da última década e vem sendo considerada um dos campos de estudo mais promissores, capaz de contribuir para a sustentabilidade ambiental.

Por ser um tema recente e multidisciplinar não é um conceito com que todos os pesquisadores concordam. Existem várias definições, nomenclaturas e siglas, todavia, a tônica é adaptar as atividades operacionais e incorporar a filosofia de gestão da cadeia de suprimentos para as preocupações ambientais entre os elos da cadeia.

A importância da GSCM, além das contribuições para os desafios ambientais da humanidade, pode ser atribuída ao potencial de contribuir, significativamente, para o desempenho ambiental, operacional e financeiro.

O GSCM requer mais atenção e ênfase em estudos futuros, pois pode constituir-se em uma estratégia efetiva para as organizações atenderem os stakeholders, reduzirem o impacto ambiental de suas operações e contribuir efetivamente para o avanço da Economia Circular.

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