A neurociência é uma ciência multidisciplinar e interdisciplinar que reúne diversas especialidades, como neurologia, bioquímica, psicologia entre outras, e objetivada à investigação de processos ligados à ansiedade, depressão, memória, aprendizado e ao comportamento humano, etc.

Existem diversas neurociências, dependendo da condução e objetivo que motivam o estudo. A Neurociência comportamental é a área que estuda como os pensamentos e emoções conduzem comportamentos de resposta a estímulos externos (exibidos pelo meio) e internos (como a memória e a criatividade).

A Neurociência aplicada à economia circular aparece aqui como uma ramificação da neurociência comportamental, focando seus esforços para identificar os vieses cognitivos, emocionais e comportamentais das pessoas a fim de entender, explicar e tentar resolver as barreiras criadas na compreensão, aceitação e comportamentos relacionados ao conceito e à práticas da economia circular.

Os métodos neurocientíficos baseiam-se no pressuposto de que as pessoas não conseguem explicar alguns dos seus comportamentos quando solicitadas explicitamente, isso porque suas decisões e ações são, em boa parte, conduzidas por processos operados abaixo do nível de consciência. Uma das questões fundamentais e mais difíceis para se romper algumas barreiras da Economia Linear (modo tradicional de produção: pegar, fazer, descartar) para uma Economia Circular é mudar a mentalidade – o Mindset – dos consumidores: temos fortemente o conceito de propriedade como algo bom, mas os inúmeros exemplos internacionais mostram que em diversos casos, racionalmente a posse diminui a riqueza pessoal e a utilidade do que foi comprado.

 Uma das bases da Economia Circular, segundo a Ellen MacArthur Foundation, criadora do conceito é a Abordagem Sistêmica. Nesta abordagem, busca-se interconectar áreas de conhecimento que atualmente são divididas em disciplinas, tornando a ciência mais multidisciplinar. Para o consumo e as relações entre os agentes econômicos  a complexidade do ser humano é um grande desafio para entender o comportamento do consumidor.

Dessa maneira, o interesse da economia circular na neurociência é melhorar a compreensão de como a cognição e as emoções das pessoas impactam o comportamento humano e suas implicações nas atividades relacionadas às áreas da economia e administração na economia circular, seja no comportamento de consumo, no comportamento/atuação profissional, comportamentos relacionados à cidadania e desenvolvimento sócio-econômico, da saúde e entre outras áreas.

Os recursos usados da neurociência são as ferramentas e técnicas desenvolvidas para medição de respostas psicofisiológicas como: pupilometria (dilatação pupilar) e rastreamento ocular (eyetracking), feitas através do equipamento de eye-tracker, resposta eletrodermal, análise da frequência cardíaca, miografia, eletroencefalografia e ressonância magnética.